Posts Tagged ‘metástases’

Um dos motivos que mais levam pessoas a procurar meu blog é a necessidade de entender melhor o que são metástases. Já criei um post, há algum tempo, comentando de maneira “genérica” sobre esse problema. Recomendo que o leiam antes de seguir em frente neste texto. Aqui, discutirei mais sobre as metástases ósseas, em um início de uma série de artigos em que abordarei as diversas manifestações dessa complicação do câncer.

Metástases ósseas são comuns no cotidiano do oncologista. Estão mais presentes em tipos específicos de doenças, como mama e próstata. Suas manifestações são das mais variadas, de silenciosas a completamente dramáticas. Independente de como se apresentam, sempre são indicativos de doença avançada, e por isso levadas muito à sério.

As consequências desse problema, especialmente quando não tratado, são principalmente a piora da qualidade e por vezes também do tempo de vida. De que maneira isso pode acontecer? Geralmente a manifestação mais comum é a dor, que pode ser no local da própria metástase, mas também pode ser uma dor irradiada. Simplificando, dor irradiada é aquela que se sente quando um nervo é comprometido e toda a área que ele “controla” fica afetada. Quem nunca viu alguém reclamando da dor do ciático?  A dor do ciático começa nas costas e corre para as pernas. É um princípio parecido.

Outra situação ainda mais grave são as fraturas. São chamadas de fraturas patológicas quando o osso quebra sem necessariamente ter sofrido um trauma. É o osso da perna quebrando na hora que a pessoa levanta, ou está descendo uma escada, por exemplo. Particularmente preocupante é se ocorre a fratura ou compressão da espinha dorsal, e com isso deixando a pessoa em risco até de ficar paraplégica.

O tratamento das metástases ósseas, como tudo em oncologia, é multidisciplinar. A cirurgia e a radioterapia podem ajudar a controlar a região doente do osso, especialmente se há risco de fraturas ou aumento de dor. A quimioterapia e a hormonioterapia ajudam a controlar a doença como um todo, reduzindo seu volume presente nos tecidos do corpo. Existem também medicações que ajudam a “fortalecer” os ossos, prevenindo eventos mais sérios no futuro. As medidas não médicas também são muito importantes, como por exemplo, a fisioterapia na reabilitação e prevenção.

Ter um câncer metastático sempre vai ser uma fonte extra de medo e ansiedade. Felizmente, com o que se tem de avanços médicos hoje em dia consegue-se um controle por vezes surpreendente de doenças que anos atrás eram consideradas “sem esperança.” Fica minha dica (a de sempre!) CONVERSE com seu oncologista. Ele está aí para isso. Com menos duvidas, mais preparados estamos para enfrentar a doença.

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Nesse post, optei por discutir um assunto “genérico” do câncer. Se lermos sobre metástases na internet, independente de qual doença, estaremos expostos a muitas informações, algumas verdadeiras e outras falsas. Outras vezes, o leigo lê algo pertinente, mas que não se aplica à sua condição em especifico. Esse conhecimento geralmente só contribui para aumentar a confusão já presente na cabeça da pessoa.

Primeiramente, o que são metástases: são lesões neoplásicas (cancerosas), secundárias a um tumor que existe em outra parte do corpo. Dou um exemplo- a paciente que tem um câncer de mama (origem- mama), e que evoluiu com uma metástase óssea na coluna (sendo essa a lesão secundária). Essa metástase óssea é um tipo novo de câncer, que vem do osso? Não, a doença é a mesma, ela se originou da mama e por diversas vias ela acabou por surgir também nos ossos. Como que ela saiu de um lugar e foi para o outro? Existem diversas maneiras, mas mais comumente as células tumorais “viajam” pelo corpo através do sangue ou da linfa.

Exemplos de metástases são inúmeros. Praticamente qualquer órgão pode ser alvo de metástases, mas os mais comuns são fígado, ossos, pulmões, gânglios. Qualquer câncer pode causar metástases, mas o comportamento varia muito entre as doenças. Algumas patologias podem metastatizar facilmente, como no caso do câncer de pulmão de pequenas células. Outras raramente o fazem, como o carcinoma escamoso ou basocelular da pele. Para dificultar ainda mais, existem variâncias ainda dentro da mesma doença, como por exemplo os múltiplos tipos de câncer de mama, que vão desde os com alto potencial de metastatização a outros com praticamente nenhum poder de se espalhar.

A presença de lesões metastáticas evidentemente implica em um estágio mais avançado da doença, independente de qual sua origem. O que varia no entanto são os meios de tratamento para essa aflição. Existem metástases que são passiveis de serem operadas, e com isso livra-se o paciente por completo da doença tornando-se possível a cura. Muitas vezes no entanto isso não é possível, então foca-se no tratamento quimioterápico, especialmente com o intuito de controle da doença, mas sem uma possibilidade clara de cura definitiva. Existem exceções para essa afirmação, como as lesões metastáticas de tumores de testículo ou linfomas que felizmente somem definitivamente com a quimioterapia. Outra modalidade de tratamento é a radioterapia, usada principalmente para proporcionar um controle local da doença, como por exemplo proteger um osso doente da dor ou mesmo de eventos mais sérios como fraturas espontâneas.

Resumindo, são lesões que sempre devem ser levadas a sério, pois sua própria existência implica em uma doença mais avançada, mas nem por isso são sentenças clara de morte. Com o tempo, irei falando de doença a doença, e poderei ser mais específico. Por hora, tomem o que estou falando apenas como uma “introdução” ao assunto, e não como uma explicação para o que uma pessoa específica está sofrendo. SEMPRE deve-se perguntar ao médico assistente as duvidas que aparecerem, e só ele será capaz de explicar sobre a doença e seus possíveis tratamentos.