Sobre o tratamento oral para câncer

Posted: Novembro 10, 2013 in oncologia

Esse artigo é da minha colega e farmacêutica Daniele Zampar, que pediu que eu postasse aqui no blog. É um texto especialmente importante pela época em que vivemos, com algumas mudanças relevantes para o início de 2014. Aqui vai:

 

Em 21/10/2013 tivemos o anúncio de que os usuários de planos de saúde terão direito a 37 medicamentos orais para o tratamento domiciliar de diferentes tipos de câncer a partir de Janeiro de 2014 (ver lista completa no link abaixo).

A saúde em nosso país tem inúmeras fragilidades, mas com a medida, espera-se resolver uma delas, que é a provisão de medicamentos de comprovado ganho terapêutico, bem como aqueles chamados de alvo molecular, que trazem menos efeitos colaterais por agirem especificamente nas células doentes e, por esta e outras razões, possuírem custos de aquisição elevados.

A provisão é essencial, mas igualmente importante é o acompanhamento destes pacientes durante todo o tratamento. Sugere-se neste momento, onde há preocupação pulsante da OMS com a segurança do paciente e escassez de recursos econômicos, que as operadoras de planos de saúde invistam na contratação de Farmacêuticos para dispensar estes medicamentos. Dispensar, por definição é: “ato profissional do farmacêutico de proporcionar um ou mais medicamentos a um paciente, como resposta à apresentação de uma prescrição elaborada por um profissional autorizado. Neste ato o farmacêutico informa e orienta o paciente sobre o uso adequado do medicamento”(1). Tal medida é econômica para as operadoras por garantir o uso correto de medicamentos tão caros! Na dispensação, o Farmacêutico reforça as orientações do prescritor e muitas vezes elucida os esquemas de tratamento com estes medicamentos.

Dados da OMS revelam que adesão ao tratamento medicamentoso é baixa, com taxa inferior a 60%(2). Adesão ao tratamento pode ser entendida como a extensão na qual o comportamento do paciente coincide com as orientações que tem por objetivo o controle ou a cura da doença(3). Os pacientes geralmente explicam sua resistência ao tratamento farmacológico e comportamental com as seguintes razões: não gostam de tomar remédios; não acreditam que seu diagnóstico é grave; não desejam ou não acreditam que são capazes de seguir as recomendações(4). Na dispensação, dependendo do tipo de serviço e estrutura, pode-se realizar a consulta farmacêutica para avaliar a adesão, fazer acompanhamento farmacoterapêutico e utilizar outras práticas clínicas que visam resolver a resistência e os comportamentos elencados acima com a terapia medicamentosa.

No cenário atual não podemos ser utópicos e imaginar que poderemos realizar todas as dispensações. Mas no caso dos medicamentos de que trata este texto, bem como a primeira vez que um paciente retira a insulina ou um medicamento para asma na UBS, aquele submetido à polifarmácia, o paciente de baixa adesão e outros casos especiais, devemos fazê-las e chamar de Dispensação Especializada. Esta deve ser realizada somente pelo Farmacêutico basicamente pelos seguintes motivos: complexidade da doença, esquemas de tratamento e/ou utilização de difícil compreensão para paciente e por envolver medicamentos de altíssimo custo.

O fornecimento do medicamento e o ato da entrega são imprescindíveis ao tratamento e devem ser considerados passos vitoriosos aos usuários dos planos de saúde. Mas há que se fazer a gestão clínica do tratamento, da dispensação do medicamento ao término de sua utilização. Não teremos resultados satisfatórios quando medicamentos são administrados concomitantemente e um inativa o outro, ou um medicamento diminui severamente a concentração sérica daquele que tem o objetivo de controlar a doença(5), ou ainda, se o medicamento fica apenas armazenado na casa do paciente porque este não compreendeu o esquema ou resiste ao tratamento, entre outros casos que poderiam ser citados.

Observação: No SUS, a consulta farmacêutica é um procedimento. Possui código e valor. Basta sistematizar as informações e trabalhar!

LINK: http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/arquivos/pdf/2013/Out/21/20131021_Rol2014_terapiaantineoplasicaoral.pdf

 

 

Daniele C O Zampar – CRF 11.509 PR

Farmacêutica Mestre UEL/Especialista em Oncologia SOBRAFO

Coordenadora Farmácia Clínica Somay Pós-Graduação

 

REFERÊNCIAS

1 Brasil. Ministério da Saúde. Portaria n. 3.916 de 30 de outubro de 1998. Aprova a Política Nacional de Medicamentos. Brasília (DF); 1998. [citado 2010 Mar 30]. Disponível em: <http://www.cff.org.br/userfiles/file/portarias/3916_gm.pdf&gt;.

2. World Health Organization, Sabaté E. Adherence to long-term therapies: evidence for action. Geneva; 2003. Disponível em: <www.who.int/chp/knowledge/publications/adherence_full_report.pdf>. Acesso 08 mar 2013.

3. McNabb WL. Adherence in diabetes: can we define it and can we measure it? Diabetes Care 1997; 20(2): 215-8.

4. Butterworth SW. Influencing patient adherence to treatment guidelines. J Manage Care Pharm 2008; 14(6 Suppl B): 21-24.

5. http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/BM/BM%5B34424-1-0%5D.PDF

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