Arquivo de Setembro, 2013

O que são metástases hepáticas?

Posted: Setembro 23, 2013 in oncologia

Um dos motivos que mais levam pessoas a procurar meu blog é a necessidade de entender melhor o que são metástases. Já criei um post, há algum tempo, comentando de maneira “genérica” sobre esse problema. Recomendo que o leiam antes de seguir em frente neste texto. Aqui, discutirei mais sobre as metástases hepáticas, seguindo minha série de artigos em que abordarei as diversas manifestações dessa complicação do câncer.

Metástases hepáticas são definidas quando encontramos lesões no fígado. Geralmente são vistas por tomografias, ultrassom ou ressonância magnética. Em uma boa parte das vezes são encontradas ainda sem causar sintomas, quanto estamos investigando todo o corpo da pessoa que acabou de diagnosticar seu câncer. Essas alterações no fígado ocorrem quando o tumor, independente de sua origem, acaba por enviar células doentes para o corpo. É um dos principais órgãos a desenvolver metástases porque sempre tem um grande fluxo de sangue, além de outros motivos.

Trata-se, como toda situação de doença avançada, de um caso mais complicado. Muitas vezes a presença de metástases hepáticas significa que o tratamento desse problema não terá potencial curativo, mas sim de controle. Alguns casos são exceções. O mais clássico é o do câncer colorretal. Neste caso a remoção do tumor inicial, assim como o das lesões metastáticas no fígado trazem possibilidades concretas de cura.

Os sintomas da doença hepática variam bastante. Como comentei previamente, muitas vezes temos situações onde não há nenhum sintoma. Existem também os casos inespecíficos, como falta de apetite, mal estar, fraqueza, indisposição abdominal. Os casos mais sintomáticos podem se manifestar com icterícia (a pessoa fica amarela!), dor abdominal, náuseas e vômitos, entre outros eventos.

A icterícia em particular dificulta o tratamento com medicações, pois pode significar que o fígado esta com uma obstrução de suas vias de eliminação de excretas. Como muitos tratamentos dependem dessas vias para serem eliminados é necessário muito raciocínio por parte do médico para acertar o tipo de remédio e suas doses

Como tudo na oncologia, felizmente muito já se avançou no tratamento das doenças metastáticas. A cirurgia, que antigamente era praticamente proibida para esses casos, já se mostrou útil em várias situações. A melhora dos tratamentos sistêmicos (por exemplo a quimioterapia e agentes biológicos) aumenta em muito a sobrevida desses pacientes, assim como a qualidade de vida. Não podemos esquecer que práticas de prevenção cada vez mais eficazes permitem que diagnostiquemos as doenças antes que passem a apresentar esse tipo de complicação

O oncologista sempre deve ser o parceiro do paciente nesta situação. Nesse texto menciono a doença de uma maneira bastante geral, e o câncer é uma doença individual, variando muito de pessoa para pessoa. Segue meu conselho de sempre: CONVERSE com seu oncologista. Pergunte tudo para ele, não há pessoa mais habilitada para ajudar.

Um dos motivos que mais levam pessoas a procurar meu blog é a necessidade de entender melhor o que são metástases. Já criei um post, há algum tempo, comentando de maneira “genérica” sobre esse problema. Recomendo que o leiam antes de seguir em frente neste texto. Aqui, discutirei mais sobre as metástases ósseas, em um início de uma série de artigos em que abordarei as diversas manifestações dessa complicação do câncer.

Metástases ósseas são comuns no cotidiano do oncologista. Estão mais presentes em tipos específicos de doenças, como mama e próstata. Suas manifestações são das mais variadas, de silenciosas a completamente dramáticas. Independente de como se apresentam, sempre são indicativos de doença avançada, e por isso levadas muito à sério.

As consequências desse problema, especialmente quando não tratado, são principalmente a piora da qualidade e por vezes também do tempo de vida. De que maneira isso pode acontecer? Geralmente a manifestação mais comum é a dor, que pode ser no local da própria metástase, mas também pode ser uma dor irradiada. Simplificando, dor irradiada é aquela que se sente quando um nervo é comprometido e toda a área que ele “controla” fica afetada. Quem nunca viu alguém reclamando da dor do ciático?  A dor do ciático começa nas costas e corre para as pernas. É um princípio parecido.

Outra situação ainda mais grave são as fraturas. São chamadas de fraturas patológicas quando o osso quebra sem necessariamente ter sofrido um trauma. É o osso da perna quebrando na hora que a pessoa levanta, ou está descendo uma escada, por exemplo. Particularmente preocupante é se ocorre a fratura ou compressão da espinha dorsal, e com isso deixando a pessoa em risco até de ficar paraplégica.

O tratamento das metástases ósseas, como tudo em oncologia, é multidisciplinar. A cirurgia e a radioterapia podem ajudar a controlar a região doente do osso, especialmente se há risco de fraturas ou aumento de dor. A quimioterapia e a hormonioterapia ajudam a controlar a doença como um todo, reduzindo seu volume presente nos tecidos do corpo. Existem também medicações que ajudam a “fortalecer” os ossos, prevenindo eventos mais sérios no futuro. As medidas não médicas também são muito importantes, como por exemplo, a fisioterapia na reabilitação e prevenção.

Ter um câncer metastático sempre vai ser uma fonte extra de medo e ansiedade. Felizmente, com o que se tem de avanços médicos hoje em dia consegue-se um controle por vezes surpreendente de doenças que anos atrás eram consideradas “sem esperança.” Fica minha dica (a de sempre!) CONVERSE com seu oncologista. Ele está aí para isso. Com menos duvidas, mais preparados estamos para enfrentar a doença.