Arquivo de Agosto, 2013

Hoje falarei sobre a Sra Wanda Rossi de Carvalho. Sei que não posso falar de pacientes com os nomes reais, mas não comentarei sobre a doença dela. Ela merece o crédito de sua história.

Dona Wanda tem 94 anos. É uma poetisa. Fez o hino de Bandeirantes (uma cidade aqui do lado de Londrina). Presidente da União Brasileira de Trovadores- seção Bandeirantes.

A cada 6 meses comparece no consultório. Reclama da demora (independente se estou atrasado ou não). Chama-me de bravo (por mais que me esforce para não ser, pelo menos não com ela…). Fala que está muito idosa, mas chega andando, a cabeça ótima.  Sempre me entrega um poema novo. Na hora de ir embora digo que o retorno é em 6 meses, e ela diz que vai estar morta até lá, porque está muito velhinha. Isso se repete já faz 6 anos.

Desta vez deu-me um poema sobre o natal, mesmo sendo na época em que estamos. Isso porque acha que não me verá mais. Igual o que sempre faz desde que a conheço…

Presente de Natal

Sonhei dar-te um presente,

Mas não sei o que darei…

Tens riqueza, tens amigos,

E até mesmo o que eu não sei.

Lembrei de dar-te a saudade

Mas com certeza já a tens,

Pensei na felicidade

Mas não mais a encontrei!

À venda estava a piedade

Mas esta sei que já tens…

E se eu te desse a verdade

Presente de grande poder.

São todos eles tão belos…

Se guardados com carinho,

Mesmo grande ou pequenino

Faz do teu sonho um menino!…

Um presente nobre me ocorre:

E se eu te desse o amor?

Dentro deles guardarias

Tudo bem que a vida for!!!

Obrigado pelo poema, dona Wanda. Até o próximo semestre.

Olá! Sou eu de volta. Quase dois anos depois do meu último post.

Primeiro, vou falar do que tem acontecido na minha vida: Vou casar, estou montando minha casa, continuo atendendo na clínica, sigo com meus (muitos) problemas no atendimento público e também no privado. Não acho que mudei minha atitude frente aos pacientes, não acredito que fiquei mais frio nem mais fechado como muita gente supõe que acontece com o profissional do nosso ramo.

               Estou mais experiente, lógico. Com o tempo, vamos ficando mais sábios, não é? De pessoas mal-intencionadas a conflitos emocionais/familiares associados ao câncer, a convivência com esses dramas faz com que você fique mais… eficiente (será essa a palavra? Não sei…) em resolver muita coisa que não está descrita nos livros. Só vivendo o que a gente vive para aprender a lidar com esse tipo de problema.

               Continuo jogando vídeo-game (acho que nunca falei isso), continuo sendo bobo com minha noiva, com meus amigos. Continuo cuidando dos meus 5 cachorros e dois gatos. São essas pequenas coisas que me fazem permanecer “são”. Perdi um dos meus queridos amiguinhos recentemente (vai com Deus Arnaldinho), mas a vida segue em frente. Eu, mais que todos, deveria saber disso ,não é?

               Até hoje não sei exatamente o motivo que me fez parar de escrever. Acho que é tempo. Não que minha vida seja absurdamente corrida, mas o tempo que tenho acabo sempre usando para meus hobbies, família e amigos. Na época, escrever era muito bacana, mas com o tempo você vai cansando um pouco. O que me animava era o retorno das pessoas que liam os textos. Era sempre positivo. Não eram muitos, mas muito significativos.

               O que me faz pensar em retornar? Depois de muito tempo resolvi dar uma olhada no site. Surpreendi-me com uma série de comentários esperando minha aprovação. Gente elogiando, criticando, pedindo informação… e o mais impressionante: o volume de visitas não só como cresceu como TRIPLICOU no período. Sem eu escrever NADA.

               Isso me fez pensar bastante. O que escrevi talvez tenha algum impacto, e aparentemente em um grupo crescente de pessoas. Com isso em mente, meio que me sinto responsável em continuar. Vou tentar, pelo menos.

               Não me deixem parar, ok?

 

Bruno

 

P.S: Ah! Uma ultima coisa. Peço desculpas a todos que me enviaram perguntas e que não respondi. Tentarei reparar minha falta daqui para a frente.