Arquivo de Outubro, 2011

nota- desculpem a demora, as vezes temos períodos mais ocupados… esse texto que escrevi foi publicado na folha de londrina há umas 3 semanas, na coluna sua saúde, quem não leu no jornal pode ler aqui. Abraços a todos!

 

Apesar dos inúmeros avanços da oncologia, ainda encontramos várias situações de doenças “incuráveis”. Geralmente ocorrem quando a enfermidade já está avançada, ou quando se trata de tumor agressivo e de difícil tratamento.

O que “incurável” quer dizer para a cultura popular? O brasileiro possui uma noção errada que o câncer, quando está avançado, “não tem mais o que fazer.” Esta frase, ainda muito usada, inclusive por médicos, está longe da realidade.

Tão importante quanto a busca da cura está o alívio do sofrimento. Existe um ditado antigo, atribuído a Hipócrates, “divinum opus sedare dolorem” que significa “sedar a dor é divino”.  Esta é a maior e mais nobre missão da medicina. Os cuidados paliativos seguem esses conceitos, focando na qualidade de vida do ser humano.

A abordagem paliativa na oncologia inclui várias modalidades de tratamento. Quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia, cirurgia, alem do suporte multidisciplinar (paliativista, nutricionista, psicológico, fisioterapeuta entre outros). No caso do oncologista clínico, cabe a ele decidir que tipo de tratamento sistêmico se enquadra para a situação, pesando os riscos e benefícios de cada alternativa terapêutica.

A primeira meta a ser considerada é a de prolongar a vida, mantendo sua qualidade e dignidade. Freqüentemente consegue-se estender a vida do paciente por longos períodos, aproximando o comportamento do câncer com o de qualquer outra doença crônica, como o diabetes ou a hipertensão arterial. Quando aumentar a sobrevida não é possível, o objetivo principal é aliviar o sofrimento. A associação de todas as modalidades citadas acima é capaz de reduzir a dor, deixar o indivíduo mais ativo e estimular o bem estar, tanto físico quanto o mental.

Faz-se importante, portanto, lembrar que o foco da medicina sempre é a pessoa, e não a doença. Por vezes tem-se pouco a fazer quanto à enfermidade presente, mas sempre há muito o que fazer para melhorar a situação do indivíduo que sofre.

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