Arquivo de Agosto, 2011

De tempos em tempos vemos pessoas famosas sendo tratadas de câncer. Hoje temos o Reynaldo Gianecchini, mas já tivemos a Hebe, a Ana Maria Braga, Márcia Cabrita, Dilma Roussef e muitos, muitos outros que são forçados a enfrentar a doença como um ser humano comum. O impacto destes eventos, no entanto, costuma ser muito mais relevante, considerando que são notícias que a mídia adora anunciar, algumas vezes de maneira responsável, outras vezes não.

O lado benéfico disto tudo é que a doença e seus desafios são divulgados. Temos poucas campanhas de informação, e muitas vezes elas são superficiais e inócuas. Por outro lado, quando temos alguem famoso como um “porta-voz” da doença, damos um rosto ao problema, sofremos com ele, torcemos por ele. Muitas vezes essas celebridades se curam mas nunca mais são as mesmas. O maior exemplo que me lembro agora é o Lance Armstrong, que poucos brasileiros conhecem, mas é um campeão de ciclismo que teve uma neoplasia de testículo avançada e se curou, e hoje é um dos líderes da ONG livestrong (http://www.livestrong.org) cujas ações tem repercussões a nível global. Existem portanto males que realmente vem para bem…

No lado negativo, celebridades doentes são um prato cheio para qualquer mídia encher a população de informações falsas ou meias-verdades. Acho que umas dez pessoas já me procuraram perguntando se o “caroço na perna” que ela tem há 10 anos é um linfoma. Outras me comunicaram apavoradas que viram descritos em algum exame a “presença de linfonodos”, como se isso fosse uma doença. As pessoas começam a se auto-diagnosticar com o que estão sendo informadas, implicando em um stress enorme e desnecessário. O excesso de informações com os mais variados graus de qualidade tem que ser cuidadosamente analisado e filtrado.

Esse é um dos motivos que me levaram a fazer esse blog: trazer informações úteis e por vezes técnica, mas sempre em uma linguagem que todos possam entender!

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Esse vai ser um post diferente.

Em vez de explicar coisas sobre o câncer, vou colocar o que eu aprendi com meus pacientes:

Aprendi que devo tentar manter meu humor mesmo nas horas mais difíceis. Eu sei que nem sempre consigo, mas tudo se resolve melhor quando se tem um sorriso no rosto

Aprendi que devo ser perseverante, mesmo quando as pessoas à sua volta te dizem que as coisas irão dar errado

Aprendi que devo lutar pelo sucesso, mesmo quando as chances dele ocorrer sejam “oncológicas”

Aprendi que os problemas que vivemos no dia a dia, nossas briguinhas, nossos egos, nossas ambições frustradas, são obstáculos ínfimos à nossa felicidade. A maioria de nós não sabe o que é viver com um problema de verdade.

Aprendi que pessoas em situações muito piores que a minha (financeira, psicológica, social) podem e fazem o bem de maneiras que eu nunca imaginaria. Que podem se doar sem esperar nada em troca, mas mesmo assim são recompensadas com gratidão e paz de espírito

Aprendi que posso ser sereno mesmo vendo crises e turbulências no meu caminho

Aprendi a curtir a vida, pois a qualquer momento ela pode nos dar uma rasteira. Quero olhar para trás e não ter arrependimentos.

E por ultimo, aprendi que devo ser humilde. Por mais importantes que possamos vir a ser, no fim somos criaturas muito frágeis, e dependemos uns dos outros para sermos felizes, especialmente nos momentos atribulados.

Oncologia é uma aula de humildade.

esse documentário, extremamente sensivel e inteligente, foi produzido pela jornalista Suellen Vieira ainda durante seu curso de jornalismo.

seu blog: http://chegadecaranguejar.blogspot.com/

esse vídeo vai ajudar a entender o tratamento na visão do paciente, feito que nunca conseguirei cumprir com um mero texto