Mas afinal, o que faz o oncologista clínico?

Posted: Julho 20, 2011 in oncologia
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Achei importante criar esse texto, afinal escrever sobre nosso cotidiano e nossas atribuições está no título do blog. Nada mais justo que eu tente esclarecer alguns pontos.

Como mencionei em alguns posts, o tratamento do câncer é multidisciplinar. São várias as áreas médicas, como o oncologista clínico, o cirurgião,o especialista em dor, o radioterapeuta, entre (muitos) outros. Existem também as áreas que não são médicas, mas igualmente importantes: enfermagem, fisioterapia, nutrição, fonoaudiologia, psicologia, farmácia… certamente estou esquecendo algumas e por isso peço perdão antecipadamente.

Irei ater-me às competências médicas. A primeira causa de confusão está relacionada às nossas capacidades cirúrgicas. O fato é que não somos cirurgiões. O oncologista clínico se atém a direcionar o tratamento sistêmico do paciente. Em outras palavras, todo o tipo de recurso que irá afetar o organismo como um todo,  não uma área específica do corpo humano. Isso nos diferencia do cirurgião ou do radioterapeuta, cujas competências são principalmente em controlar a região doente da pessoa. Arrisco-me em ser muito simplista nessa definição, mas por hora basta.

Tratar todo o organismo de um paciente envolve principalmente medicações. A quimioterapia é a mais conhecida. Trata-se da prescrição de fármacos voltados para cada tipo de doença, e administrados em forma de um “soro” pela veia. O processo em si não tem segredos. Outros remédios que podem administrados da mesma maneira são as drogas alvo (ou agentes moleculares, ou agentes biológicos… os nomes são inúmeros), que são medicações muito mais novas, avançando a passos largos na ciência médica. Também fazemos uso de imunoterapia e hormonioterapia. Alguns desses tratamentos são comprimidos, outros são injeções. Deve-se notar que a via de administração não é tão importante quanto o conhecimento necessário na hora de se decidir QUAL modalidade se lançará mão.

Todos sabemos que tratamentos oncológicos tem seu custo em termos de efeitos colaterais e qualidade de vida, por isso a decisão do tratamento nunca pode ser feita de maneira inconseqüente. É por isso que essa é uma especialidade que demanda muito estudo durante a formação e principalmente (e mais difícil) DEPOIS de formado, pois é uma das áreas que mais mudam e evoluem com o passar do tempo, e admito que por vezes é muito difícil estar atualizado em tudo a todo o tempo

Por fim, mas não menos importante, uma atribuição que eu vejo, e particularmente procuro assumir, é a de ser um ponto de referência ao paciente. Não são raras as pessoas que passam por três, quatro, cinco especialistas no decorrer de seu tratamento. Esse elevado numero de médicos normalmente causa uma confusão importante na já fragilizada mente do indivíduo. Na hora da crise, fica muito difícil saber quem procurar: o cirurgião? O radioterapeuta? O oncologista? Em geral, por estar acompanhando o paciente de perto com mais freqüência que os colegas, em especial nos períodos de quimioterapia, o oncologista consegue “gerenciar” a situação com mais facilidade. Obviamente não saberemos como operar alguem com uma complicação, mas com freqüência iremos saber como devemos nos portar frente a um problema, e isso nos momentos difíceis faz toda a diferença.

Comentários
  1. Dr Bruno, se puder visitar meu blog, vou ficar feliz🙂
    http://chegadecaranguejar.blogspot.com/

  2. Muito bom o seu blog. Obrigada por nos engrandecer com seus post`s.

  3. Bruno diz:

    Olá Dr Bruno
    Sou médico residente em clínica médica e pretendo fazer oncologia como especialidade, porém tenho muitas dúvidas acerca do mercado de trabalho no país. O senhor poderia me dar alguma informação? Como está o mercado para novos oncologistas no Brasil? Qual o salário médio inicial?
    Há alguma região com maiores espaços?
    Grato
    Bruno

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